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A memória de curto prazo

2 de junho de 2017

   Sabe quando você tem que voltar no seu carro para conferir se desligou os faróis ou se ativou o alarme? Ou então quando você não lembra se trancou a porta de casa logo após sair? Pois bem, saiba que existe uma categoria de memória específica para todos esses pequenos esquecimentos do dia a dia. Ela se chama memória de curto prazo.

   Vamos começar com uma definição geral sobre que é a memória. Eric Kandel, ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, define aprendizagem e memória da seguinte forma: Aprendizagem é o processo através do qual nós adquirimos conhecimento sobre o mundo, enquanto memória é o processo pelo qual o conhecimento é codificado, retido e, posteriormente, recuperado.

   O que seria, então, a memória de curto prazo? Como e em quais regiões do cérebro ela acontece? E, mais importante, como podemos preservá-la ou até mesmo melhorá-la?

   Como o nome sugere, a memória de curto prazo é um tipo de memória limitada quanto ao tempo em que as informações ficam armazenadas no cérebro e limitada também na quantidade de informações, sendo que as informações ficam guardadas por apenas alguns minutos. Um estudo do psicólogo cognitivo George Miller, 1956, demonstrou que o cérebro humano armazena cerca de cinco à nove ítens em sua memória de curto prazo, sendo que o tamanho desses itens depende de quão familiares eles são para a pessoa que os está memorizando. Anatomicamente, sabe-se que a memória de curto prazo depende do sistema límbico, também conhecido como o centro das emoções do cérebro. Nesta região supõe-se que o hipocampo, a amígdala e algumas áreas do córtex estejam diretamente relacionadas neste processo de armazenamento à curto prazo de informações.

   Então saiba que aquela notificação que você leu à alguns minutos no seu whatsapp, ou aquele post que você acabou de ler no Facebook, ainda estão na sua memória de curto prazo. Eles podem ser eliminados e esquecidos daqui à alguns minutos, ou podem passar para sua memória de longo prazo.

   Assim como qualquer função cerebral, a memória de curto prazo também está sujeita à deficiências e, por isso, também devemos checar seu funcionamento para termos cérebros cada vez mais saudáveis. Deficiências neste tipo de memória podem ser causadas por vários fatores. Como por exemplo, uma carência da vitamina B12 pode ter um efeito negativo severo. Desde o esquecimento do nome de pessoas que acabamos de cumprimentar pela primeira vez ou de conhecidos que encontramos na rua até uma desmemória do nome dos parentes mais próximos ou do dia, mês e até mesmo do ano em que estamos. Doenças neurológicas, como as demências, também podem prejudicar a memória de curto prazo.

   Atualmente sabe-se também que a prática saudável de exercícios físicos aumenta a neurogênese (nascimento de novos neurônios) no cérebro de mamíferos adultos e até mesmo de idade mais avançada. Como mostra o estudo de Henriette van Praag, em 2005, intitulado de “Exercise Enhances Learning and Hippocampal Neurogenesis in Aged Mice” (“Exercícios Potencializam a Aprendizagem e a Neurogênese no Hipocampo de Camundongos de Idade Avançada”).

   Van Praag cita em seu artigo: “Exercícios voluntários melhoram algumas das consequências deletérias morfológicas e comportamentais do envelhecimento”.

   A memória de curta duração é bastante limitada quanto à quantidade de informações armazenadas, porém ela pode ser melhorada quanto ao tempo em que essas informações ficam nela. Outra forma bastante comum para se fazer isso é a repetição. Ouvir novamente oque foi dito ou ler novamente oque se viu auxilia o cérebro à reter esses dados na memória de curto prazo além de facilitar sua passagem para a memória de longo prazo.

   Um fator natural que tem um grande impacto na memória é o envelhecimento. Pessoas de idade mais avançada tendem à ter mais problemas com a memória e também à apresentar mais doenças neurológicas. Por isso recomenda-se um acompanhamento da saúde cerebral de forma regular para essas pessoas.

   Ter um cérebro saudável mesmo numa idade mais avança é possível e acessível. Já existem tecnologias precisas e adequadas para a identificação preventiva e o tratamento de doenças que afetam a memória.

Dr. Tiago Pereira Damaceno

com colaboração de Matheus Teles G. de Araújo

Fontes:

The Journal of Neuroscience – Exercise Enhances Learning and Hippocampal Neurogenesis in Aged Mice

UNICAMP – Distinções entre Memória de Curto Prazo e Memória de Longo Prazo

LIVRO – Kandel, E.R (2000). Princípios da Neurociência. Quarta edição. p. 1227.

LIVRO – Gil, R. (2002). Neuropsicologia. Segunda edição. p. 172

LIVRO – Lent, R. (2005) Cem Bilhões de Neurônios – conceitos fundamentais em neurociência.

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