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Depressão: saiba como lidar

28 de agosto de 2018

Quem nunca sentiu medo, alegria, saudade, coragem ou dor? As emoções fazem parte da vida e lidar com elas também.
Com a tristeza e o sofrimento não é diferente. Por mais sofrida e delicada que seja a situação, depois que a sensação de “luto” passa, às vezes com a ajuda de um especialista, algumas lições geralmente são aprendidas e a vida volta a fluir lentamente.
Ou seja, a pessoa passa a retomar gradativamente a sua rotina, a sair, mesmo que pareça estar se forçando um pouco mais no início, e quando se dá conta, a sua vida é retomada e tudo volta a fazer sentido.
O problema pode se tornar patológico quando esse tipo de situação passa de um ano e a pessoa se entrega àquela sensação paralisante do início, de forma ininterrupta e com sentimentos oscilantes, que pioram no decorrer desse tempo e a impedem de viver o presente, com todas as suas adversidades corriqueiras.
Esses sintomas podem estar ligados a uma depressão e precisam ser tratados para que não se torne algo mais grave. Mas como diferenciar um sentimento (tristeza) de uma doença (depressão)?

Tristeza x Depressão

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de 2020 a depressão será uma das principais causas de absenteísmo (ausência profissional) no mundo. Então, saber como ela funciona e as melhores formas de tratá-la pode fazer toda a diferença, não só na produtividade, mas principalmente na qualidade de vida.
Para começar, é preciso saber diferenciar os sintomas de tristeza daqueles que podem desencadear uma depressão.
A tristeza costuma ser causada por algum fator externo ou questões psicológicas que geram desconforto e desalento, principalmente nos quinze ou vinte primeiros dias. Mas depois, com o passar dos meses, as sensações como: a vontade de chorar, o sentimento de impotência, desmotivação e angústia passam a se espaçar cada vez mais, até que as causas se distanciem gradativamente e a pessoa retome a sua vida.
Já na depressão não é preciso haver necessariamente um motivo aparente, ou mesmo quando há uma justificativa real para a dor, como a morte ou a frustração por algo perdido, sintomas como a tristeza profunda, persistente e paralisante (em que o indivíduo, por exemplo, não quer mais levantar da cama, nem se alimentar adequadamente ou cuidar da sua higiene básica) se instalam completamente.

Estágios da Depressão

De repente a pessoa começa a se fechar por dentro, passa a ver tristeza em tudo ao redor e achar que nada vale a pena na vida. Um pensamento vai levando ao outro e quando ela se dá conta, passa a ter pensamentos suicidas.
Nessas horas é importante procurar uma ajuda médica e o IMPI (Instituto de Medicina e Psicologia Integradas), composto por psicólogos e psiquiatras do Distrito Federal (entre outros profissionais) pode ajudar. Afinal, todos esses sintomas também seguem acompanhados de fatores fisiológicos que geram desequilíbrios cerebrais, como por exemplo, a diminuição de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.
Todos esses incômodos devem ser tratados para que não evoluam para uma depressão leve, moderada ou grave. Entenda melhor:

Depressão leve

entre alguns tipos que podem se enquadrar neste estágio, a Distimia, também conhecida como a “doença do mal humor”, é uma das principais, que não impendem totalmente a pessoa de realizar as suas atividades, mas ao vir acompanhada de sintomas como melancolia, falta de apetite e sono adequado, impaciência e desinteresse pelo que se faz (que vão e voltam com frequência), costumam atrapalhar no rendimento e a longo prazo evoluir para um estágio mais avançado da doença.
A Distimia tem cura e o seu tratamento costuma ser feito com antidepressivos e psicoterapia.

Depressão moderada

considerado um transtorno do humor (assim como os demais), a pessoa costuma ter pensamentos de extrema tristeza, desesperança e desespero, ao ponto disso interferir nitidamente em sua vida diária, como por exemplo, no trabalho, nas refeições e ao dormir.
E como no caso anterior, um psicoterapeuta deve ser consultado.

Depressão grave

a pessoa costuma sentir uma sensação de “vazio” persistente, seguido de sentimentos de culpa, irritabilidade, inutilidade, pensamentos suicidas, dores de cabeça, problemas digestivos, insônia, falta de apetite e consequentemente perda de peso, fadiga e desinteresse por hobbies e pela vida, entre outros. Tudo de maneira constante e ininterrupta por semanas ou meses.
Geralmente esses sintomas se enquadram em patologias como: a Depressão Perinatal ou o pós-parto, que remete à tristeza profunda, ansiedade e exaustão, ao ponto de impedir a mãe de realizar cuidados diários consigo e com o bebê. A Depressão Psicótica (com sintomas parecidos com a anterior, incluindo delírios e alucinações); Transtorno Afetivo Sazonal (conhecida como “depressão de inverno”, que ocorre geralmente nesse período e costuma ser influenciada pela falta de luz solar, tornando a pessoa mais vulnerável às oscilações normais de humor), e o Transtorno Afetivo Bipolar (com mudanças de humor extremamente baixas ou elevadas), que também podem ser conhecidas como Distúrbio Disruptivo de Humor (diagnosticado em crianças e adolescentes) e no caso das mulheres, Distúrbio Disfórico pré-menstrual, mais específica.

Principais causas da doença

Nem sempre os fatores psicológicos e sociais (como traumas ou acontecimentos marcantes) são as principais causas da depressão. Elas podem ser somente as consequências dos problemas ligados, por exemplo:

  • Ao estresse;
  • À predisposição genética e as alterações químicas que acontecem a partir disso;
  • Após o surgimento de doenças graves;
  • Alterações hormonais,
  • O uso recorrente de alguns remédios.

Quando há riscos de suicídio?

Apesar de estarem correlacionadas, nem todas as pessoas que possuem o transtorno depressivo necessariamente cometerão um suicídio. Isso porque para chegar a esse ponto, a pessoa certamente apresentará antes alguns indícios, tais como:

  • Falar e pensar constantemente sobre a morte;
  • Perder o interesse repentino por coisas que gostava antes;
  • Visitar pessoas para dar “um adeus” (se despedir);
  • Colocar-se em situações de risco, como se não tivesse mais nada a perder;
  • Usar excessivamente o álcool e as drogas. Nestes casos eles podem funcionar como potencializadores;
  • Traumas psicológicos;
  • Situações existenciais, somadas a fatores como a presença de uma doença crônica ou desesperança.

Por isso, o apoio dos familiares e amigos é fundamental para que a pessoa seja alertada a respeito e procure a ajuda de um especialista, o quanto antes.

Formas de tratamento

A Depressão já está entre as cinco principais doenças no Brasil e segundo a OMS, ela se instala três vezes mais nas mulheres do que nos homens, por motivos geralmente hormonais, em estágios da vida como: a gravidez; na Perimenopausa, fase que marca o fim da vida reprodutiva da mulher e a Menopausa, período que vem depois.
Para a maioria dos casos, o tratamento costuma ser feito à base de antidepressivos, prescritos pelo psiquiatra. Mas no paralelo também é preciso realizar um acompanhamento psicológico.
As medicações possuem um papel fundamental para a evolução do tratamento, mas os seus resultados só costumam ser sentidos a partir da quarta semana em diante. Até lá, pode ser que o paciente tenha alguns sintomas como: boca seca, intestino preso, tremor e, às vezes, dependo do tipo de antidepressivo, sentir um pouco de ansiedade, mas isso também é contornável com o passar dos dias.
O mais importante para o sucesso do tratamento é que, além do acompanhamento com um psiquiatra e um psicólogo, o paciente também não interrompa a medicação porque isso pode acarretar em mal-estar ou até mesmo no “efeito rebote”, com a retomada regressiva da doença.
Para evitar que isso aconteça, siga o tratamento medicamentoso à risca e se sentir a necessidade de pará-la, de comum acordo com o seu médico, sugira a redução gradual, por exemplo: de de 20mL para 10mL e depois, para 5mL, dia sim e outro não, até que o psiquiatra opte pela interrupção.
É claro que para chegar nesse estágio, o paciente já terá passado por algumas etapas do tratamento e enxergará a sua própria evolução terapêutica, conforme o acompanhamento realizado pelo seu médico.

Sintomas como: vontade de chorar, fadiga e pessimismo constante, por mais de duas semanas, são alguns dos indícios que podem estar ligados à depressão, principalmente se eles interferirem nos relacionamentos de trabalho ou nas atividades diárias.
Por isso, quando a pessoa não consegue se livrar deles sozinha, após esse período, o ideal é que ela entre em contato com o IMPI, em Brasília, e agende uma conversa com um psicólogo.

Diagnóstico e exames

Para obter uma maior precisão no diagnóstico de depressão, o paciente costuma passar antes por um exame físico, realizado por um clínico geral (no primeiro contato), psicólogo ou psiquiatra.
Dependendo de como o paciente se sentir fisicamente e estiver, emocionalmente, após a avaliação médica, serão pedidos alguns exames, como o de sangue e o neurológico.
Mediante os resultados, a pessoa será encaminhada para o tratamento com psicólogo, ou se for preciso, fará o uso de medicação depois de consultar um psiquiatra.

Medidas preventivas que ajudam

Como as adversidades fazem parte da vida, assim como os momentos de tristeza e frustração, que tal mudar alguns hábitos para evitar que a depressão apareça? Pequenos gestos podem salvar, exemplo:

  • Ter uma alimentação balanceada;
  • Priorizar os períodos de férias;
  • Não trabalhar em excesso;
  • Reservar um tempo para si, seja para descanso ou fazer as coisas que gosta;
  • Praticar algum tipo de esporte;
  • Manter-se bem espiritualmente;
  • Priorizar as boas noites de sono.

O papel dos alimentos

Como a depressão estará diretamente ligada ao humor e à disposição, além do tratamento, alguns alimentos também podem ajudar, principalmente se vierem acompanhados por alguns nutrientes como: ômega 3, magnésio, zinco, ferro e vitaminas (C, B1, B9 e B12).
Elas podem ser encontradas nas dietas que forem ricas, por exemplo, em folhas verdes, oleaginosas (como castanha-do-pará, amêndoas, macadâmia e amendoim), desde que consumidas com moderação, e peixes.
Nesse sentido, alguns estudos comprovam inclusive que se a pessoa adotar a alimentação correta, os riscos de depressão diminuem em até 50%.

Atividades físicas

De acordo com um estudo realizado pelo Centro Médico de Southwestern, na Universidade do Texas (EUA), os pesquisadores descobriram que a prática de exercícios aeróbicos regulares (como bicicleta, esteira ou caminhada) podem reduzir os sintomas de depressão pela metade.
Na ocasião, o grupo praticou os exercícios cinco vezes por semana. Feito isso, os seus sintomas reduziram em até 47%, após três meses de treinos, enquanto o grupo que se exercitava três vezes por semana melhorou seus sintomas em 30%.
Os resultados obtidos constataram que a prática de atividades físicas incentiva a produção dos neurotransmissores, responsáveis pela comunicação entre as células do sistema nervoso, como por exemplo, a endorfina, que provoca as sensações de bem-estar e euforia.

Outras práticas que podem ajudar no tratamento

Além dos exercícios físicos e de uma alimentação saudável, algumas atividades, somadas à medicação e terapia, também podem ajudar no tratamento da depressão. São elas:

  • Retomar os hobbies que lhe davam prazer ou ocupar-se com novas formas de diversão;
  • Aprender coisas novas e prazerosas, por mais simples que sejam;
  • Evitar as pessoas negativas e as notícias ruins que são divulgadas;
  • Recobrar as boas noites de sono, tentando realizar exercícios de respiração e relaxamento, ou se estiver
  • dormindo demais, procurar acordar mais cedo, com a ajuda do despertador ou de alguém;
  • Procurar novamente o prazer nas pequenas coisas como: comer algo que gosta, olhar uma paisagem, brincar com um animal etc.

Uma mãozinha dos APPs

Quer saber se a depressão te rodeia ou como lidar um pouquinho melhor com ela, sem abrir mão do tratamento e das terapias necessárias para reduzir os seus efeitos? Então, confira alguns aplicativos que podem te ajudar a retomar sua rotina saudável:
Querida Ansiedade: aplicativo para Android e iPhone (iOS), gratuito, além dos vídeos, é possível realizar anotações diárias sobre o que a pessoa está sentindo e que podem ajudá-la a lidar melhor com a sua ansiedade.
Cogni: é um APP que contém alguns planos e oferece espaços para relatos pessoais, que podem ser compartilhados depois com o seu terapeuta, além de ajudar a regular o humor, entre outras ferramentas.
Diário – Controle de Humor: gratuito e voltado para o Android, o app permite que a pessoa elabore um diário privado sem que precise digitar uma única linha. Além disso, é possível ter uma ideia das suas oscilações de humor e adicionar as atividades realizadas durante o dia.
Autoavaliação de depressão APK: também na versão para Android, o aplicativo ajuda o usuário a perceber as tendências depressivas em sua vida.
Fontes: Sociedade Brasileira de Psicologia, Drauzio Varella, Vittude, O Estado de S.Paulo, Minha Saúde, Tua Saúde, Saúde Abril, Revista Claudia, R7 Notícias, Portal Educação.

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