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Esquizofrenia

16 de abril de 2017

A morte e a loucura sempre estiveram entre os maiores medos dos seres humanos. Um reflexo disso está num dos piratas mais queridos da atualidade, o capitão Jack Sparrow, personagem de sanidade mental questionável dos filmes “Piratas do Caribe” dirigidos por Gore Verbinski, e que em quase todos os filmes utiliza dos mais cômicos e trágicos meios para conseguir a imortalidade e, assim, enganar a morte.

Já no que tange a loucura, nosso querido capitão Jack não é tão preocupado assim. Na verdade, podemos ver em várias cenas alguns comportamentos um tanto quanto esquisitos por parte do capitão Sparrow, como quando ele visualiza duas versões menores de si mesmo morando dentro de seus cabelos e decide então ter um diálogo com seus ‘mini mins’.

Não me proponho aqui à diagnosticar o capitão, mas admito que já observei alguns comportamentos esquizofrênicos em seus filmes. No entanto, a esquizofrenia não é exatamente cômica e geralmente não tem resultados tão positivos como observamos nos filmes.  Escutar vozes e delírios persecutórios estão entre os obstáculos para pessoas com distúrbios psicóticos, mas não são os únicos. Manter relacionamentos pessoais e profissionais,  ter o costume presumir, ou achar que sabe o que os outros pensam e a dificuldade de comunicação também geram grandes problemas.

Relatos Oficiais

Os primeiros relatos oficiais do problema nos antigos livros egípcios registra que venenos, demônios, o material fecal ou problemas no sangue poderiam estar na raiz da loucura. Mas foi Emil Kraepelin, 1913, que descreveu melhor a patologia como delírio, alucinações e pensamento desorganizado com o nome diferente do de hoje, “demência precoce”.

Antes do início dos sintomas há um período chamado pródromo, que é quando os sintomas precursores à doença aparecem e é onde a pessoa vai mudando gradativamente a maneira de ver e perceber o mundo e seus relacionamento pessoais e começa à atribuir significados e percepções ao que está vivendo no momento. O problema é que esses sentimentos às vezes se confundem ao ponto de incapacitarem a pessoa de interpretar a realidade de forma lógica e racional.

Nós que trabalhamos com saúde mental, conhecemos casos e pessoas com esquizofrenia com habilidades cognitivas e relações sociais e profissionais preservadas, capazes de conviverem adequadamente com funcionamento mais próximo do normal. Um exemplo é o caso famoso de John Nash, ganhador do Nobel de Economia, 1994, cuja história é retratada no filme uma mente brilhante.

Apesar das tecnologias atuais os mecanismo que levam ao transtorno esquizofrênico ainda são pouco compreendidos. E os efeitos na vida profissional dessas pessoas são severos, de forma que de 70% à 80% das pessoas com a patologia não conseguem emprego e dependem de aposentadoria pelo resto da vida.

A boa notícia é que juntamente com a criação de novas drogas para o tratamento, existem também números crescentes de intervenção psicológico DF que têm sido utilizadas para reforçar essas habilidades cerebrais essências. Um estudo realizado pela pesquisadora Karuna Subramanian, em 2012, na Universidade da Califórnia em São Francisco descobriu que um aumento na atividade cerebral dos pacientes com esquizofrenia está relacionado com um melhor desempenho em monitorar a realidade.

Infelizmente, a técnica de “reabilitação”, ou seja, aumentar a ativação do córtex pré-frontal medial, uma área do cérebro logo atrás da testa, ainda é muito nova e pouco difundida no brasil. No IMPI essa remediação cognitiva foca em exercícios dirigidos, jogos eletrônicos, estimulações cerebrais magnéticas ou elétricas e psicoterapia para ajudar as pessoas a não “enferrujarem”, pois assim como um esportista precisa treinar o mesmo movimento várias vezes, é necessário também reforçar as habilidades cognitivas para que a pessoa com esquizofrenia se conecte melhor consigo mesmo e com amigos, parentes e as pessoas ao seu redor.

Dr. Tiago Pereira Damasceno
com a colaboração de Matheus Teles Gomes de Araújo

 

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