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O Cérebro

26 de julho de 2017

O cérebro humano é realmente incrível. Se você ganhasse um real para cada neurônio em seu encéfalo você seria bilionário. Dentro de nossos crânios, habitam cerca de cem bilhões de neurônios vivos, ativos e que se comunicam. Todas essas células foram organizadas e conectadas com uma complexidade nunca antes testemunhada no Universo, resultando em seres igualmente inéditos.

É certo que nós, seres humanos, somos mais uma espécie de animais em meio a muitas outras. Somos vertebrados como os calangos, mamíferos como as onças-pintadas e primatas assim como os saguis ou os macacos-pregos. No entanto, certamente não somos apenas isso. Afinal de contas, onde já se viu macacos construindo arranha-céus, ou onças pintadas recitando poemas ou até mesmo calangos indagando “Ser ou não ser? Eis a questão”? Tais feitos, e muito outros, são únicos à espécie humana.

“Algumas funções do cérebro humano – a linguagem me vem à mente – são tão poderosas que eu chegaria ao ponto de afirmar que elas produzem uma espécie que transcende a condição simiesca no mesmo grau em que a vida transcende a química e a física triviais”

Dr. V. S. Ramachandran1

Único e complexo, porém finito e frágil

Nosso cérebro nos capacita para a realização de obras espetaculares e isso faz dele um órgão singular e sem precedentes. Porém, mesmo sendo único, ele também é mais um órgão em meio a vários outros, assim como nós somos mais uma espécie entre várias outras, e como tal possui suas fragilidades, seus limites e suas necessidades para se manter saudável.

Componente principal de nosso sistema nervoso central, nosso cérebro consome aproximadamente 20% de toda a energia produzida pelo organismo, chegando a utilizar 25% do oxigênio inspirado. Mesmo dispondo de tamanhas reservas energéticas, o poderoso cérebro está sujeito a doenças, transtornos, distúrbios e múltiplas disfunções. Não é à toa que a doença denominada de “Mal do século XXI” é um distúrbio mental, a depressão.

Impactos fortes na cabeça, altos níveis de estresse, o abuso de álcool, uma dieta inadequada e vários outros fatores podem prejudicar o cérebro, gerando distúrbios mentais dos mais variados. Por exemplo, você sabia que não é tão raro, nos consultórios de psiquiatria do SUS, o aparecimento de pessoas que sofreram um acidente de moto, bateram a cabeça, e desenvolveram um transtorno psicológico denominado de agnosia, em que elas perdem a capacidade de reconhecer objetos de uso comum, como um relógio. A pessoa até sabe a função e a aparência, mas ao ser questionada quanto ao nome do objeto ela se mostra incapaz de responder, mesmo estando com sua fala intacta.

No entanto, os distúrbios que afligem, em massa a população brasileira, e até mesmo a população mundial, são os distúrbios de humor, como a ansiedade e a depressão. Para tais doenças, não se faz necessário um acidente de trânsito; elas não discriminam por cor, credo, poder aquisitivo ou localidade. Em todo o mundo, qualquer tipo de pessoa pode ser acometida por esses transtornos em algum momento de sua vida.

Essa fragilidade que nosso cérebro apresenta possui um lado positivo. Diante de todas essas doenças, a raça humana se encontra profundamente movida a buscar maneiras de prevenir, tratar e curar esses problemas. Há, atualmente, um empreendimento em nível mundial para melhorarmos nossa saúde cerebral e, assim, alcançarmos mentes saudáveis. A consciência para o cuidado do cérebro aumenta cada vez mais, nos dando boas expectativas para o futuro de nosso bem-estar mental.

Um órgão a ser cuidado

Por mais incrível e complexo que seja, o cérebro também é finito e frágil. Também precisa de oxigênio, água, sais minerais, açúcares, enfim as necessidades comuns a qualquer órgão humano. No entanto, a noção de que o cérebro é mais um órgão e que precisa de cuidados, assim como o coração, não é tão presente em nossa população. Por exemplo, em 2015, o Brasil possuía cerca de 13 mil médicos especialistas em cardiologia, porém, em neurologia, eram apenas 4 mil, quase dez mil médicos a menos, conforme a demografia médica no Brasil, realizada pela USP. Tal fator reflete uma possível falta de consciência tanto populacional quanto governamental sobre os cuidados que devemos tomar com nossa saúde cerebral.

Somente em nível de exemplo, nos Estados Unidos, onde existem fortes campanhas em prol da consciência da saúde cerebral – as Brain Awareness weeks, por exemplo – foram investidos 6 bilhões de dólares somente em pesquisas nas áreas da neurociência, enquanto que o investimento em pesquisas das doenças do coração foram de 1,3 bilhões, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (o NIH). Demonstrando assim que a saúde cerebral é, sim, prioridade.

Entre as funções cerebrais mais afetadas em todo o mundo estão as funções cognitivas, pois elas estão entre os principais alvos de várias doenças mentais e cerebrais mais comuns. Os distúrbios de humor, como a depressão e ansiedade, as demências, como a doença de Alzheimer e os déficits de atenção, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), já são problemas bem conhecidos de toda população brasileira e todos afetam a cognição.

A ansiedade e a depressão podem ser causadas por fatores endógenos, como uma deficiência nutricional, baixa de vitamina B12 ou ácido fólico, por exemplo. Fatores exógenos também podem acarretar esses distúrbios de humor, como situações adversas constantes, que geram altos níveis de estresse para o indivíduo. Tais distúrbios afetam várias funções cerebrais, desde as emoções, sensações e percepção até os níveis cognitivos superiores como o raciocínio e a memória. Tudo isso reduz a expectativa de vida saudável dos brasileiros em quase dez anos, conforme um indicador do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, realizado em 2015.

Podemos e devemos cuidar da saúde de nosso cérebro. Em sua carta para a comunidade da cidade de Filipos, na Grécia, S. Paulo fez uma declaração interessante. Ele demonstrou sua preocupação pela saúde emocional e cognitiva – percepção e intelecto – de seus amigos ao afirmar:

Esta é a minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo. Filipenses 1:9-10. NVI.

Seu cérebro saudável

No documentário “O cérebro”, do canal History Channel, a seguinte frase é citada “Aprendemos mais sobre ele (o cérebro) nos últimos cinco anos do que nos últimos cinco mil anos”. Uma frase um tanto quanto forte, porém verdadeira. Estudar o cérebro não é algo fácil, você consegue imaginar como se pode acessar as características mais complexas do cérebro humano? Como podemos quantificar emoções? Localizar anatomicamente as memórias? Ou entendermos as bases orgânicas do que chamamos de consciência?

Cérebro saudável

Se você pensou em tecnologias de ponta e equipamentos de acesso neural que mais parecem ter vindo de filmes de ficção científica, você acertou, em parte pelo menos. Existem várias metodologias psicológicas que conciliam a complexidade cerebral com tratamentos surprendentemente simples e que não necessitam de maquinários tecnológicos avançados, permitindo assim um acesso indireto às funções neurais. No entanto, atualmente, diferentemente de outras épocas, nós temos em mãos não somente os mais incríveis aparatos de acesso neural, como temos também uma gama de profissionais especializados no cérebro.

Hoje podemos estimular grupos específicos de neurônios do córtex cerebral utilizando campos magnéticos, com uma metodologia high-tech chamada de estimulação magnética transcraniana (cuja sigla vem do inglês, e é TMS). Podemos, assim, potencializar a atenção sustentada, ou então simplesmente estimular uma região do córtex que irá ajudar a pessoa a relaxar e descansar. Podemos também examinar níveis de ansiedade, depressão ou propensões a disfunções mentais, mensurando parâmetros biológicos como a frequência cardíaca, a resposta fisiológica e até mesmo a predominância das ondas cerebrais de cada indivíduo, permitindo assim um tratamento altamente personalizado e preciso.

No IMPI, nossa equipe tem em mãos, além de outras metodologias, as tecnologias citadas acima. Temos também um leque de profissionais especializados no cérebro e na mente. Desde médicos, psicólogos e psiquiatra DF até fonoaudiólogos, psicopedagogos, nutricionistas, neuropsicólogos e fisioterapeutas, todos capacitados para tratarem de forma meticulosa nossa mente e cérebro, tendo resultados que estendem-se também a todo o organismo.

Sabe quando você vai a um buffet que tem uma variedade imensa de opções e você não sabe nem por onde começar a degustar? Pois bem, perceba que você já pode começar a sentir-se da mesma forma quando se trata de manter seu cérebro com saúde. Com os recursos disponíveis no IMPI, podemos ajudá-lo a se concentrar mais em seus estudos para concursos públicos ou a tratar de suas crises de ansiedade (que provocam aquela gastrite nervosa). Podemos auxiliar pessoas com transtornos de atenção e hiperatividade a se concentrarem e serem mais atenciosas, por exemplo. Tratamos também muitos casos de depressão. Auxiliamos pessoas com dependências químicas. Enfim, as possibilidades são muitas, são reais e estão acessíveis.

Lembre-se que seu cérebro é mais um órgão. E é, sim, incrível, complexo e poderoso em suas funcionalidades, mas também possui necessidades e uma saúde a ser cuidada. Mantenha-se saudável, não somente em seu coração, seus pulmões ou seus rins, mas também em sua mente, seu espírito e em seu cérebro.

Francisca Sampaio Leão – Neuropsicóloga

com colaboração de Matheus Teles Gomes de Araújo

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