Encontre seu profissional

Os efeitos de uma comunicação disfuncional sobre a família

29 de janeiro de 2018

          A Terapia Familiar Sistêmica é uma abordagem que trabalha com a família em conjunto, resolvendo os conflitos através da compreensão dos seus padrões rígidos de funcionamento. Esses últimos são comportamentos ou atitudes difíceis de serem modificados e que impedem mudanças dentro da dinâmica familiar, trazendo consequências inadequadas e indesejáveis. A Terapia Familiar Sistêmica tem como objetivo principal possibilitar o diálogo entre os membros de uma família, permitindo uma análise da situação presente, na busca de ações geradoras de mudanças. Por provocar mudanças em toda a família, “a melhora pode ser duradoura, porque cada membro da família é modificado e continua provocando mudanças sincrônicas nos outros”, como escreveu Nichols & Schwartz (2007).

A Homeostase

          Jackson, em Nichols & Schwartz (2007), descreveu as famílias como unidades homeostáticas que mantêm relativa constância de funcionamento interno. Para ele, homeostase familiar diz respeito “às famílias como unidades que resistem à mudança” (p.45). Com a função de restaurar o equilíbrio do sistema, o princípio da homeostase (postulado da Biologia) estaria a serviço de regular qualquer impacto provocador de mudança e de desequilíbrio na família. Esse fato está condicionado ao grau de flexibilidade de uma família ao interagir através de seus padrões relacionais. Se o sistema se organiza de forma a que só suporte graus mínimos de mudança, os padrões relacionais serão rígidos, trazendo sofrimento aos seus membros, devido ao engessamento do sistema. Entretanto, caso não haja uma intervenção no sentido de identificar a dificuldade, esse engessamento poderá se cronificar, produzindo padrões relacionais intensamente rígidos que se repetirão por gerações, perpetuando a momentânea disfuncionalidade. Sendo assim, o conceito de homeostase está no centro da principal função do sintoma na família. “A homeostase dá nascimento ao conceito de função interpessoal do sintoma” (Nichols e Schwartz p. 28).

          O autor citado acima, em um de seus artigos, Schizophrenic symptoms and family interaction, ilustrou como os sintomas dos pacientes preservam a estabilidade da família, pois esses sintomas podem ser considerados mensagens ocultas que explicam os relacionamentos. Se o sintoma for visto dessa forma, deduz-se que tornar manifesta essa mensagem faz com que ele perca sua utilidade e, portanto, desapareça. Isso pode ocorrer porque, ao externalizar o sintoma, o próprio sistema encontra recursos para superar a crise e tem flexibilidade para utilizá-los num novo equilíbrio. Isso confirma o argumento de Jay Haley, também em Nichols e Schwartz (2007): os sintomas “representam uma incongruência entre os níveis de comunicação” (p. 46). De acordo com Molina-Loza (1996), “o terapeuta sempre busca atribuir uma função a cada sintoma” porque “quando se atribui uma função ao sintoma pode-se, na prática, conseguir duas coisas: que a família aceite essa nova versão e, segundo, que o sintoma possa ser definido como voluntário… Isso também permitirá que o emergente familiar, com sua conduta sintomática, seja definido como indispensável para o funcionamento atual da família” (p.33). Psiquiatra DF.

           Sendo assim, do ponto de vista da terapia sistêmica, a comunicação afeta o comportamento.

          Uma família disfuncional é uma família em que os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte dos membros individuais ocorrem continuamente e regularmente, fazendo com que outros membros acomodem-se com tais ações. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação na família.

          Do ponto de vista da comunicação, a família sintomática perde-se em críticas, acusações, silêncios, duplas mensagens: há muita dificuldade em colocar-se no lugar do outro e rigidez em tentar novas formas de resolver problemas.

         Cinco características de uma família disfuncional:

  1. Agressões físicas e verbais entre os pais
  2. Pouca ou nenhuma demonstração de afeto com os filhos
  3. Uso de drogas em casa
  4. Duplas mensagens para os filhos
  5. Autoritarismo, excesso de críticas e cobranças excessivas.

Vanessa Suzuki – psicóloga

Postado em Blog | Tags: