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Saiba como a Neurometria pode lhe ajudar

27 de junho de 2017

   Se hoje a população brasileira encontra-se na quinta posição no ranking de maiores populações do mundo, com aproximadamente 207 milhões de pessoas, existe um lugar onde habitam apenas seis indivíduos. Sim, seis. 2 estadunidenses, 3 russos e 1 francês estão, neste momento, na Estação Espacial Internacional (International Space Station – ISS), orbitando à cerca de 250 quilômetros de distância da superfície da Terra.

   Esses seis astronautas passam por condições realmente únicas, de forma que seus organismos precisam adaptar-se às novas condições e ao novo ambiente, pois, para o corpo deles, é como se realmente estivessem habitando um outro planeta. Tais ajustes fisiológicos também acontecem à nível neurológico, tornando-os os alvos de alguns estudos neurocientíficos.

   Um exemplo recente desses estudos é o que se intitula de “Brain structural plasticity with spaceflight” – Plasticidade estrutural do cérebro no voo espacial -, realizado por Vincent Koppelmans e Rachael Seidler, da Universidade de Michigan, EUA, em 2016. Nesse artigo, que foi publicado na revista Nature, os pesquisadores descreveram pela primeira vez alterações na estrutura cerebral associadas ao voo espacial.

Estudos de mudanças celebrais no voo

   O estudo foi realizado com 27 astronautas com o objetivo de avaliar os efeitos do voo espacial na estrutura cerebral e para observar se existem mudanças cerebrais relacionadas à alterações no equilíbrio antes e depois do período nas estações espaciais, pois a diferença gravitacional altera a forma como o cérebro equilibra o corpo numa determinada localização. Os cientistas utilizaram ressonância magnética para observar o cérebro dos astronautas e, de fato, encontraram tanto aumentos de massa cinzenta, no córtex somatossensorial e no córtex motor, que são áreas relacionadas ao equilíbrio, à sensações e aos movimentos, como também observaram reduções de massa cinzenta em outras regiões. Esses achados intrigantes abrem portas para futuros estudos comportamentais desses efeitos na estrutura cerebral de indivíduos submetidos à tais condições.

   Note, os pesquisadores utilizaram de uma tecnologia de imagiologia cerebral (ou seja, imagens do cérebro) para observarem estruturas internas do encéfalo desses astronautas, e tudo isso de forma não invasiva, sem precisar abrir os crânios de seus colegas. Se podemos acessar as partes do cérebro de forma não invasiva, utilizando ressonância magnética, poderíamos, então, ir além e termos acesso também às nossas funções cerebrais? Seria possível, por exemplo, aferir e aprimorar nossos níveis de concentração? Nossa atenção sustentada? E nossa inteligência ou até mesmo nosso equilíbrio emocional? Confesso que seria bem interessante ter um controle maior daquelas crises de ansiedade ou daqueles momentos depressivos.

   Bom, se você acompanhou este texto até agora imagino que você já tenha algum palpite quanto as perguntas que provoquei no último parágrafo. Se você respondeu sim às perguntas que fiz, parabéns, certa resposta. Fico feliz em lhe informar que existe atualmente uma técnica inovadora que alcança múltiplas modalidades mentais e cerebrais e atua tanto à nível fisiológico (no cérebro), quanto à nível psicológico e comportamental tendo assim impactos diretos na qualidade de vida e na performance pessoal. A técnica à qual me refiro chamasse Neurometria.

O que é a Neurometria?

Neurometria

   A neurometria é uma metodologia utilizada para a avaliar o sistema nervoso autônomo, que é um sistema neural que controla funções involuntárias, como os batimentos cardíacos, e para registrar nossas atividades cerebrais, promovendo o autocontrole das funções fisiológicas por meio de um acompanhamento computadorizado (conforme Siqueira A., 2014).

   “Essa metodologia utiliza técnicas reconhecidas mundialmente e tem como  objetivo realizar análises funcionais e treinamentos dos sistemas nervoso e cognitivo autônomos, por meio de sensores, com o intuito de melhorar a saúde física e mental e potencializar a alta performance”

Sarah Sammy – Neuropsicóloga¹.

   Um exemplo prático e um tanto quanto próximo à realidade dos brasilienses é um estudo, realizado no programa de pós-graduação em neuropsicologia do IMPI, pela neuropsicóloga Sarah Sammy. Nesse estudo, intitulado de “O uso da Neurometria para a redução da ansiedade em candidatos a cargo público”, a profissional fez dois tratamentos utilizando a neurometria em ‘concurseiras’ do Distrito Federal. O objetivo do trabalho foi apresentar a neurometria como uma metodologia inovadora, visando comprovar sua eficácia no tratamento do nível e do controle da ansiedade, bem como na melhora cognitiva.

Ao analisar os resultados pré-tratamento gerados pelo acompanhamento computadorizado, utilizado na neurometria, Sarah Sammy pode observar sérios déficits na primeira candidata. Ela apresentava uma reserva funcional muito baixa, ou seja, baixos níveis energéticos disponíveis para seus neurônios (como se a despensa de seu corpo estivesse bem vazia), além da exaustão e de um estresse severo da glândula adrenal, responsável pela liberação do cortisol, também conhecido como o hormônio do estresse. Essas deficiências geravam um controle de ansiedade no nível de 47% para a paciente.

   Após três meses de tratamento com a técnica da neurometria, a candidata à cargo público obteve uma melhoria significativa. Nela, já não se viam mais as graves deficiências fisiológicas relatadas no período pré-tratamento. Sua reserva funcional encontrava-se dentro do limite mínimo e a não existia mais exaustão de sua glândula adrenal, enquanto que seu estresse estava leve, e não mais severo. Tais melhoras fisiológicas subiram o nível de controle de ansiedade da paciente de 47% para 75%, demonstrando uma expressiva melhora no controle de ansiedade, assim como na hiperatividade fisiológica.

   Numa outra candidata à cargo público, Sarah observou um resultado diferente, porém igualmente interessante. Esta outra pessoa foi tratada durante um mês. Ela foi avaliada, na fase pré-tratamento, com uma ferramenta psicológica chamada de MoCA, que significa Acesso Cognitivo de Montreal (original – Montreal Cognitive Assessment). Nesse teste cognitivo ela obteve 19 pontos antes do tratamento com neurometria. Já na fase pós-tratamento seu escore foi elevado em dez pontos, atingindo a pontuação de 29 no teste, fazendo possível ver que o treinamento por intermédio da neurometria demonstrou-se eficaz na melhoria de seus níveis cognitivos.

   O trabalho da neuropsicóloga Sarah Sammy é apenas um exemplo dentre vários outros que reafirmam a eficácia do tratamento com neurometria. Valendo ressaltar que o estudo citado foi feito em pessoas que investem uma boa parte do seu tempo estudando, assim como muitos outros, sejam universitários, alunos de ensino médio, concurseiros e qualquer outra pessoa que encontre-se em situação semelhante. Que, inclusive, pode até ser o seu caso.

   Além da aplicação prática exemplificada acima, a neurometria pode agir também melhorando nossa memória, criatividade, agilidade na tomada de decisões, capacidade para resolução de problemas e até mesmo nosso quociente de inteligência (QI). Tudo isso pois ela trabalha em nossas ondas cerebrais.

Como funciona a comunicação entre os neurônios?

   A comunicação entre nossos neurônios acontece de forma eletroquímica, com a migração de neurotransmissores e de moléculas com carga elétrica. Essa movimentação de partículas elétricas gera cinco tipos de ondas eletromagnéticas em nossos cérebros, as ondas alfa, beta, teta, gama e delta. Cada uma com uma frequência e predominância cerebral específicas. Por exemplo, talvez você já tenho lido ou já ouviu sobre as ondas beta, elas são predominantes em nosso estado de pensamento normal, quando estamos plenamente conscientes e acordados, já as ondas delta predominam no estado de sono profundo.

   A neurometria age nessas ondas. Por meio desta técnica a própria pessoa pode alterar a predominância de suas ondas cerebrais ao gerar estados mentais desejados para o momento. Por exemplo, não convém que o cérebro esteja predominantemente com ondas de alta frequência, como as ondas gama, se a pessoa deseja tirar uma soneca, logo, essa pessoa pode utilizar-se dos exercícios aprendidos na neurometria para induzir suas ondas cerebrais à um estado de baixa frequência que a ajude à dormir.

   Tais exercícios de treinamento cerebral tem se tornado cada vez mais populares nos últimos anos em vários países desenvolvidos. Infelizmente eles ainda são pouco conhecidos e divulgados no Brasil. O Instituto de Medicina e Psicologia Integradas faz parte dessa pequena parcela de profissionais da saúde que casam medicina e psicologia DF utilizando tecnologias de ponta, como a neurometria, além de oferecer os serviços de profissionais capacitados para a aplicação de tais tratamentos de alta tecnologia. E, para os que se interessam pela área, existem também cursos de pós graduação oferecidos pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Educação (IEPSE) do IMPI, onde foi realizado o estudo da neuropsicóloga Sarah Sammy, citado acima.

   Por fim, quando o profissional da saúde realiza os exames da neurometria ele pode ter acesso, indireto, à sua nutrição (pois uma má nutrição pode prejudicar a reserva funcional), aos seus exercícios físicos ou a ausência deles e à outras práticas que podem cooperar ou não para sua saúde, como seus níveis glicêmicos, que podem mostrar se há uma inclinação para a diabetes, por exemplo. Então, faça um profissional da saúde feliz, mantenha-se saudável, faça exercícios físicos, leia, socialize e tenha uma dieta balanceada e quando passar pelo teste da neurometria você irá visualizar, literalmente, que tanto seu cérebro e mente quanto o resto de seu organismo estão tão felizes quanto seu médico.

Dr. Tiago Pereira Damaceno

com colaboração de Matheus Teles G. de Araújo

1 – Adaptação da citação da doutora Sarah Sammy M. Sampaio de seu trabalho de pós graduação “O uso da neurometria para a redução de ansiedade em candidatos a cargo público”, no Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Educação (IEPSE). Página 7.

Nature – Brain structural plasticity with spaceflight – http://www.nature.com/articles/s41526-016-0001-9

Sarah Sammy M. Sampaio. O uso da neurometria para a redução de ansiedade em candidatos a cargo público. Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Educação (IEPSE). Instituto de Medicina e Psicologia Integradas. Brasília. 2014.

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